Um velho jardineiro pediu licença à moça e se ajoelhou ao seu lado, silencioso, mostrou a ela que em suas mãos sujas de terra havia um monte de sardinhas e, com o olhar, a convidou a entrar na brincadeira.
A moça um com um pouco de nojo de pegar naqueles peixes mortos hesitou um pouco, mas achou interessante a ideia. O homem ofereceu o lanche primeiro aos flamingos, balançando um pouco o peixe até chamar a atenção de uma das aves rosadas. Um susto parte da dama, quando vê a forte bicada que a ave dera no peixe, esta que antes estava tão calma e delicada lavando suas penas.
_ Você pode apenas chamar a atenção delas e deixar o peixe na beirada, se estiver com medo.
_ Desculpe, já está entardecendo.
Ela levantou-se, e passou novamente pelo paisagista que ainda estava provavelmente no meio de sua reclamação sobre o jardineiro. Ela riu, se não tivessem profissionais tão críticos assim naquele lugar, ele não seria tal perfeição.
Chegou em casa e seu noivo estava preocupado, pois ouvira falar que assírios se aproximavam da cidade cada vez mais.
Aterrorizada, não dormiu boa parte daquela noite quente na Mesopotâmia, e quando dormiu, sonhara com as armas de ferro cortando sua pele, fazendo com que o sangue vermelho pintassem fitas em sua pele lisa e morena, as rápidas bigas lhe derrubavam, chocando seu corpo com a lama, que sujava seu rosto delicado e sua roupa de seda, os soldados de chão lhe batiam e se aproveitavam do seu corpo, largando-a a beira da margem dos canais dos Jardins Suspensos, lugar que tanto tempo passara, e mesmo naquele pesadelo, continuava com o Sol em seu centro, e seus flamingos calmos. No meio de tudo, surge o ranzinza paisagista, que corta-lhe os cabelos com facões e tesouras de jardim, terminando aquela perfeita arte da guerra.

