terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mais um fim de tarde na Babilônia

Mais gaivotas alçavam voô sobre as águas suspensas naquela manhã, enquanto isso o paisagista reclamava sobre o desatento jardineiro que deixara morrer meia dúzia de orquídeas nas últimas semanas, que foi interrompido por uma bela nobre que tirara-lhe sua atenção. A dama de raros olhos verdes caminhava devagar, em um vestido branco de seda que tocava os azulejos trabalhados do magnífico jardim. Ela parou e se ajoelhou à beirada da fonte, onde exuberantes flamingos lavavam suas penas.
Um velho jardineiro pediu licença à moça e se ajoelhou ao seu lado, silencioso, mostrou a ela que em suas mãos sujas de terra havia um monte de sardinhas e, com o olhar, a convidou a entrar na brincadeira.
A moça um com um pouco de nojo de pegar naqueles peixes mortos hesitou um pouco, mas achou interessante a ideia. O homem ofereceu o lanche primeiro aos flamingos, balançando um pouco o peixe até chamar a atenção de uma das aves rosadas. Um susto parte da dama, quando vê a forte bicada que a ave dera no peixe, esta que antes estava tão calma e delicada lavando suas penas.
_ Você pode apenas chamar a atenção delas e deixar o peixe na beirada, se estiver com medo.
_ Desculpe, já está entardecendo.
Ela levantou-se, e passou novamente pelo paisagista que ainda estava provavelmente no meio de sua reclamação sobre o jardineiro. Ela riu, se não tivessem profissionais tão críticos assim naquele lugar, ele não seria tal perfeição.
Chegou em casa e seu noivo estava preocupado, pois ouvira falar que assírios se aproximavam da cidade cada vez mais.
Aterrorizada, não dormiu boa parte daquela noite quente na Mesopotâmia, e quando dormiu, sonhara com as armas de ferro cortando sua pele, fazendo com que o sangue vermelho pintassem fitas em sua pele lisa e morena, as rápidas bigas lhe derrubavam, chocando seu corpo com a lama, que sujava seu rosto delicado e sua roupa de seda, os soldados de chão lhe batiam e se aproveitavam do seu corpo, largando-a a beira da margem dos canais dos Jardins Suspensos, lugar que tanto tempo passara, e mesmo naquele pesadelo, continuava com o Sol em seu centro, e seus flamingos calmos. No meio de tudo, surge o ranzinza paisagista, que corta-lhe os cabelos com facões e tesouras de jardim, terminando aquela perfeita arte da guerra.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Turmalina

Entro de cabeça no cliche de dizer que o amor é como uma pedra preciosa e, como todos sabem, uma pedra preciosa bruta vale muito menos que aquela que foi trabalhada e lapidada. Isso quer dizer que fico triste, com o quanto pessoas jogam fora amores tão preciosos em sua forma bruta, mas que não tiveram disposição para "lapidá-lo" a forma a qual o casal preferisse, e simplesmente o abandonasse, desperdiçando toda a beleza e pureza que uma coisa tão rara hoje em dia poderia trazer.
Imaginei minha vida inteira encontrar um diamante, ou pelo menos uma grande pedra de ouro, em como seria algo valioso e belo. Porém me decepcionava cada vez mais, ao saber que hoje em dia é tão difícil encontrar pedras tão preciosas quanto essas.
Essa decepção passou a ser uma observação, em como a juventude vive de cascalhos, e que os sonhadorem depositam todo a seu suor em um monte de brita que só lhe trará fardos com algo pesado e de pouco valor.
Alguns conseguem errar o absurdo, tentando se firmar estavelmente em um monte de areia solta na sociedade.
Outros otimistas acabam perdendo toda a sua energia em cristais, pensando que fossem algo de real valor.
Também há aqueles que se encontram, e de amor só surge ferro derretido, lava que corrói o coração, mas que faz arder os sentimentos.
Ainda há os que tem a ilusão de que podem pegar qualquer metal inútil e transformar na melhor coisa do mundo.
Por fim, ficava imaginando qual seria o meu destino, qual dessas categorias eu acabria presa e condenada a sofrer por um bom tempo. O engraçado é que muitas descobertas são feitas por acaso, assim como um Sutão antigo estava caminahndo no deserto, e tropeçou em uma rara safira atolada pelas tempestades de areia, eu encontrei meu amor sem procurar.
Fiquei então estagnada em meus pensamentos pessimistas mais uma vez, que em breve eu descobriria qual pedra era a nossa, e ficaria mais uma vez decepcionada ao ver que nao era ouro, nem diamante.
Eu descobri qual é o nosso amor, e realmente não era ouro, muito menos diamante... É uma turmalina verde, que de tão bela naturalmente, quando encontrada no fundo das cavernas, em meio a estalagmites, parece já ser lapidada pela própria natureza, já tem seu brilho e cor forte, às vezes um verde escuro, algumas até pretas, sempre uma cor profunda que traz uma conexão que apenas quem vive uma turmalina pode entender. Ela não é um cristal enganador, nem um ouro que você duvide de seu valor, é uma pedra inquestionável, que você sabe que quanto mais trabalhada, mais pode valer.
Mas o que mais me impressionou foi que uma turmalina tem mais valor pra mim do que qualquer outra pedra  ou gema deste mundo.
Sua beleza me fascinou.
Seus traços diferentes fazem com que eu tenha algo único, e que mais ninguém possa ter.
Suas colunas horizontais faz com que várias qualidades e coisas boas estejam ligadas e conectadas a um plano mestre.
Mas o que ainda me deixa em dúvida é se devemos lapidar essa pedra completamente, claro que devemos tirar as pontas e imperfeições, mas não sei se quero fazer com que ela perca toda essa singularidade que tem.
Afinal, estou completamente fascinada com uma das coisas mais preciosas que encontrei na minha vida, e não quero perdê-la ou mudá-la.