sábado, 16 de março de 2013

29 dias

Sabe o que eu queria fazer no meu aniversário? Ir pra cabana de madeira.
Sabe? Tirar o fim de semana assim, ir pra lá sexta a noite depois do cursinho, passando no supermercado antes e comprar sopa instantânea e chá matte. Pegar uns livros e um pendrive com umas músicas medievais, uns souls.
Chegando lá de madrugada eu daria uma limpeza, deixaria tudo bonitinho e assistiria algum filminho até pegar no sono.
No Sábado de manhã eu acordaria umas 11 horas, só ouviria o som do vento mesmo, em privacidade total, sozinha, talvez eu levaria o Rachide pra esquentar meu pé.
Poxa, Rachide, sopa, chá... meu aniversário ta na virada do verão pro outono, pra começar eu deveria ter nascido em Julho não? Imagina só se a cabana ainda fosse num lugar alto, sei lá, naquelas bandas de Ouro Preto, que delícia a ventania.
Mas eu ia lá pra fora, na varandinha, já com o chá pronto e ler meu livrinho, colocar as ideias no lugar, mas bem rápido, porque depois eu já ia fazer macarrão com queijo beeem gorduroso para comer. Eu ia ficar horas olhando pro mato, pro nada, pensando em nada, com o lado direito do cérebro completamente desativado.
Ia ficar fazendo isso, esse nada. Desaparecer de mim e de todos.
Ia voltar só no Domingo de manhã, chegar na hora do almoço em casa pra poder comer com a família pra não parecer que sumi, assim, estranhamente.
Sabe? Estou com saudade da libélula que mora na cabana, é a minha libélula favorita das 3. Uma é facilmente quebrável e muito temporária, passageira, não dá pra aproveitar. A outra é boa também, mas não tenho condições de manter ela agora, acho que ela não anda combinando comigo.
Mas pensa só, a libélula da cabana é a que eu mais gosto, e é a que as pessoas menos conhecem, eu sempre estou bem quando ela está comigo, é um estado de espírito quase intocável, e ela simplesmente foi embora, por medo da maneira em que eu estou agora. Estou com tanta saudades dela, pensa só, já namoro a mais de um ano e meu namorado nem chegou a ver uma beiradinha dela. Ela sempre estava comigo, sem precedentes, agora eu preciso de imaginar um fim de semana numa cabana pra me lembrar dela.
Será que é por isso que estou andando triste? Nesse vai e vem de estar bem ou estar pra baixo? É a sobre carregação de uma libélula que não suporta o dia-a-dia?
Não quero mais ficar absorvendo humor e personalidades de outras pessoas, isso só me prejudica, por isso que acho que estou com esse sentimento de isolamento, já basta aguentar meus pensamentos...
Já to falando demais, estava me deliciando com a minha imagem do fim de semana na cabana, e agora já estou reclamando das coisas.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O dia do novo Papa

Hoje aconteceu comigo uma coisa que não acontecia há um tempo. Mas dessa vez veio muito forte, e tocou meu coração de tal forma que eu não conseguia conter minha alegria.
Não sei dizer quantas pessoas estavam comigo, na expectativa de ver a fumaça branca sair da chaminé, e de ver quem seria o novo Papa, mas sei que eram muitas pessoas, parte considerável da sociedade.
Mas sei dizer que quando eu vi a fumaça, me senti feliz, e quando eu ví o anunciamento do Papa na sacada, eu senti aquilo que não senti a algum tempo, me senti cristã. Me senti em comunhão profunda com Deus num compartilhamento de alegria fraterna com tantas pessoas do mundo.
Saí do trabalho, rindo, surpresa, pensando no que essa escolha poderia acarretar. Não consegui pensar em ir a outro lugar a não ser a Igreja de Lourdes, atrás de onde trabalho, e simplesmente orar.
Fui com os passos apressados e ao entrar na igreja fui me acalmando, me dirigindo lentamente ao altar, e me ajoelhei.
A euforia que eu estava a poucos momentos atrás se transformou em oração, pedi, de verdade e do fundo do meu coração, que Deus abençoasse este homem que agora comandará a Igreja.

Mas o que me tocou, foi aquele desespero que veio a tona naquele momento, não consegui conter as lágrimas. Era como se todos aqueles problemas que vemos no mundo e ignoramos, ou tentamos não sofrer com eles, possuíssem seu coração de uma vez só. Pensei em guerra, em fome, em pessoas excluídas da sociedade, em violência, isso tudo que vemos todos os dias. Não consigo parar de chorar até agora. Quase que como uma mensagem telepática, supliquei para este homem, que ele faça tudo o que pode e não pode para mudar o máximo de problemas que o mundo tem, fazer o que está além do alcance dele! Deus, por favor, abençoe este homem, abençoe todos aqueles que comandam a sociedade de alguma forma, políticos, empresários, midiáticos, religiosos... abençoe a integridade espiritual de cada indivíduo.

Em momentos como este tenho certeza da minha fé. Deve ser por isso que a Igreja foi criada.
Eu te amo meu Deus.

domingo, 3 de março de 2013

Mimimi de Guria de 17 aninhos

O que será que falta? O que será que eu quero?
Será que eu devo ousar numa tentativa errante de buscar preenchimento?
ou devo seguir o reto aguardando o meu momento?

Me desligar do que me prende, fazer uma loucura sequer na vida? Meu Deus! Eu nunca fiz nada louco, nunca senti o sangue subir fervoroso na emoção de uma adrenalina pelo meu pescoço.
O mais ousada que eu já fui foi dizer a verdade. O mais perto de novidade que eu cheguei foi uma tarde que de frutos só me engordou bastante.
Não corri atrás do que eu queria, poderia ter feito francês, italiano, dança de salão... poderia ter aprendido teoria da música para tocar meu teclado quando quisesse me distrair.
Eu podia ser tudo! O céu era  o limite, bastava eu querer que era ir lá e fazer. Não tinha tempo feio, não tinha preocupação, a vida era calma e a rotina aberta. Hoje eu penso, e na minha cabeça só vem os "Por quês".
Por que minha mãe não me acordou naquela quarta feira quando eu tinha 5 anos? Eu poderia ter voltado lá.
Por que em vez de tirar onda com aquela carta, não fui lá e corri atrás do que ela estava me propondo?
Por que eu guardei o cartão da Fernanda por tanto tempo e vendo ela todos os sábados na catequese.
Por que eu não fui contra a minha mãe, e continuei a fazer flexão no meio daqueles moleques?
Por que deixei de declarar paixonite tantas vezes?
Por que não saí de casa nenhum domingo de manhã?
Por que não fui eu mesma quando eu pude?
Por que não fui na casa da Júlia quando ela falou comigo depois de um ano?
Por que não ousei em três semanas?
Por que não detonei nenhum coração?
Por que aceitei só ficar?
Por que acreditei que já era tarde pra mudar?
Por que parei em três meses?
Por que nunca completei 1 ano com Kitty?
Por que sempre me contentei em ser engraçada, e apenas ver que as pessoas se sentem bem perto de mim?
Agora que tudo isso já passou, me vem aquela vontade de tentar recuperar tudo que eu deixei de fazer, mas ai eu paro e vejo que o tempo passou, que não há mais tempo, que eu já cresci e já tenho outras coisas "mais importantes" pra me preocupar, não dá mais tempo pra brincadeiras, pra hobbies e que a minha obrigação agora é correr, correr pra conseguir algo que eu nem sei se é o que eu quero. Tenho que fazer algo normal, rotineiro, que não me da fascinação nenhuma apenas pra começar a juntar dinheiro, dar um start na "vida".
O máximo que eu vou chegar perto do que eu queria é talvez o limitado quando eu me aposentar.