segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Querida Kitty,

Acordei hoje, segunda-feira. Levantei do quarto vazio e fui direto para o banheiro lavar meu rosto e pentear o cabelo. Quando ele entrou e disse:
- Tá na hora de cortar isso ai, minha linda.
- Hahaha, eles já estão com os dias contados, já to ficando velha, né?
- Tá linda, pode usar o corte que quiser.
- Sei lá, falta coragem, meus planos era cortar com 24 ou 25 anos, mas que não passasse tanto disso, hahaha.
- Você quem sabe. O café tá pronto, vamos descer?
Ele me ajudou a descer das escadas, bem devagar, puxou a cadeira pra mim, pois eu nem estava aguentando me apoiar pra sentar direito. Eu esqueci de pegar o notebook para já deixar lá embaixo na sala, pra eu fazer alguma coisa to trabalho que eu pudesse fazer em casa, apesar de eu não ter mais condições de ir ao trabalho, assumi algumas obrigações.
- Você vai almoçar em casa hoje?
- Vou sim.
- O que você quer comer?
- Você vai fazer o almoço?
- Vou, Julia está de férias no trabalho e vai ficar aqui comigo hoje, aí ela me ajuda, eu só oriento.
- Tadinha, toda debilitada.
- Vai se fuder, Ítalo.
- Quero uma macarronada gostosa, tem bacon e carne moída no congelador.
- Vou fazer mais nada pra você também não, hahaha.
Me deu um beijo na testa, pegou a maleta e me deu outro beijo, na bochecha. E foi para o trabalho.
Julia não demorou muito a chegar depois que ele saiu, fizemos a macarronada à bolonhesa e uns pedaços do bacon que estava no congelador, haha. Julia me contava do jantar no fim de semana que o namorado da faculdade a levou, desabafava que este ela realmente estava gostando. Conversamos um bom tempo sobre o futuro dela e seus sonhos, as esperanças que ela tinha com esse amor que estava nascendo agora, acabei lembrando um pouco de quando eu tinha meus 17 anos, e senti mais ou menos o que ela estava sentindo naquele momento.
Ela foi um doce, regou minhas plantinhas e lavou o banheiro, enquanto eu devagar tirava a poeira da casa. Foi divertido me sentir dona de casa, sem diarista e longe do trabalho.
Ele chegou meio dia e meia, bem na hora que Julia tirava a travessa de macarrão do forno, com o queijo ralado todo derretido. Almoçamos os três e conversamos um pouco, mas Ítalo teve que voltar rápido, pois era um esforcinho corrido conseguir almoçar em casa.
Lá pelas duas horas da tarde Julia foi embora, dizendo que qualquer coisa era só ligar pra ela. Fiquei então trabalhando até quando o meu bem voltou, não tinha anoitecido ainda.
- Minha linda, amanhã já começa minha licença também.
- Hahaha, já? Nossa, tá chegando mesmo.
Subimos, tomei um banho e passava hidratante, óleo na barriga enquanto ele tomava o dele. Ele saiu e novamente esbarrou comigo no momento em que eu penteava os meus cabelos.
- Sabe o que eu estava pensando?
- Hum.
- Você podia esperar mais uma semana pra cortar.
- Por que?
- Sei lá, pra quando a Lucia nascer ela ver as fotos bebêzinha dela com a mãe com cara de novinha, cabelão, toda linda e feliz.
- Hahaha, por que? Quando eu cortar vou ficar feia e triste?
- Não, sua boba, você entendeu. Quando você cortar não vai mais ter cara de jovem, mas de mulher de 30 anos.
- Ta bom, haha, eu entendi. Esse vai ser o plano mesmo.
Não tinha pensado nisso. Mas enfim, no final foi isso que aconteceu hoje, decidimos que vou cortar o cabelo no mesmo dia em que cortamos a primeira mechinha de cabelo da Lucia, não vou guardar nem nada porque acho isso bobagem. Mas sei lá, vai ser eu deixando de ser menina pra cuidar, junto com o meu homem, da nossa menininha.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Vamos ser diretos

Quer saber? Caralho, eu quero ser feliz, quero ter a minha vida perfeita, mas eu tenho que esperar. E terei que esperar nessa casa agora triste, deprimente, que alimenta minha raiva e a minha tristeza todos os dias.
Todos os dias é uma pitada de depressão, todos os dias temos que conversar com alguém sobre a minha mãe, todo lugar que eu vou me perguntam como está, e comentam o quanto minha mãe ficou louca.
POXA, eu já sei que ela ficou louca, já sei que ela ESTRAGOU TUDO, já sei que ela destruiu toda a nossa rotina de família perfeita e agradável que tínhamos, mas agora já foi! Me deem uma chance de conseguir aceitar isso, fodas se ela fez isso, eu quero arrumar uma forma de contornar isso tudo e continuar a ter uma vida tranquila, mas ninguém dá chance!
Não aguento mais ver meu pai inquieto andando pela casa, não aguento mais chegar e ver que minha vó está precisando de atenção e de desabafar, não aguento mais ouvir chorinho baixinho do quarto do meu avô, não aguento mais a escola, não aguento mais essa procura por estágio, não aguento mais essa aura que está me rondando, que está consumindo toda a alegria natural que eu tenho e me transformando numa pessoa sem graça e cheia de defeitos enfatizados. Eu tô saturada, não aguento mais nada, tudo me estressa, tudo me irrita, eu não consigo dormir, não consigo me concentrar pra estudar, não consigo me animar.
Eu tô com uma coisinha dentro de mim, guardada, e eu não sei o que eu faço com ela. Não sei se eu grito, se eu soco a parede, chorar também já descobri que não adianta, mas eu preciso fazer alguma coisa com ela, porque assim eu não tô aguentando mais.
Juro, mas vou ter que apelar para o clichê, eu só queria acordar um dia e ver que isso tudo não passou de um pesadelo.
Por favor, Deus, me ajuda... eu vou transbordar...

sábado, 3 de novembro de 2012

Incerteza

_ Não seria bobagem minha acreditar nisso?
_ Não Luiza, esse tipo de coisa acontece, a gente não escolhe nem quem, nem a hora, nem o lugar.
_ Mas eu queria ter certeza de que vai dar certo pra sempre, pra depois no futuro eu não me decepcionar.
_ Olha, quando eu conheci a sua mãe, eu comecei a namorar com ela e já tinha certeza que nós dois teríamos um casamento duradouro, e tivemos. Agora, se iria durar pra sempre, isso não tem como a gente saber, tanto que não durou. O problema dessas coisa é que não depende só da gente, depende do outro, porque se só dependesse da gente nós teríamos certeza.
_ É verdade.
_ As pessoas simplesmente mudam, mudam no que acreditam, mudam a cabeça e acima de tudo, mudam o que querem, ela passa a não querer as mesmas coisas que você quer e é aí que a coisa desanda.
_ Entendo.
_ Mas você tem essa certeza de que vai durar, e se você acha, é porque vai. Mas não se iluda porque nada nesse mundo vai garantir que isso vai durar e ser bom pra sempre. É um tiro no escuro, a gente se arrisca nessa vida e temos que arriscar, em esse e em todos os outros pontos, tudo é uma incerteza.
_ É essa incerteza que me mata, haha.
_ Pois é, mas teria graça se você soubesse que tudo ia dar certo? Nós usamos nossos problemas e as coisas que erramos pra crescer, tudo que eu tô absorvendo com essa situação lá em casa eu já estou pondo em prática na minha vida. A mamãe e o papai por exemplo, eles eram super apaixonados, até o fim, mesmo depois que o papai morreu a sua avó é louca de amor por ele. E eles tinham tudo pra isso não acontecer, e deram sorte. Acredite nisso e simplesmente torça para que o mundo seja generoso com vocês dois.