sábado, 1 de outubro de 2011

Estado Vegetativo

Chega um momento na nossa vida que entramos neste estado, pode ser apenas em uma atitude nossa, um dia, mas também pode ser por meses, anos ou até a vida inteira. Estou puxando mais para o lado da última opção.
Assim como você vai se reabilitar de uma droga, a primeira coisa que você deve fazer é adimitir e se reconhecer como um viciado, sem isso os passos seguintes não terão o efeito certo.
Bom, diferente do caso das drogas, reconhecer que você está vegetativo não é tão desesperador, mas é decepcionante. Os primeiros sintomas é quando você começa a comparar a sua vida com a vida dos outros, começa a enxergar a grama do vizinho mais verde e pior, tenta agir como as pessoas que você está comparando.
É aí que você começa a perceber que tem algo errado na sua vida, está faltando alguma coisa. Você tenta descobrir o que é, mas não consegue. Vai a igreja, se dedica aos estudos, trabalho e realização profissional, começa a fazer as aulas de pilates e a aprender aquele instrumento que você comprou a uns dez anos atrás, achando que ia levar a sério.
Ótimo, você fez já o que nem 20% da população faria, melhor, nem 5% da população estaria ao menos reconhecendo seu estado vegetativo, como eu disse acima.
Mas enfim, se isso resolveu o seu problema, muito bom, você está lendo isso a toa, mas se não, ah amigo, você está no mesmo barco que eu.
Sabe aquele barco que qualquer coisa que acontece você se agarra no mastro o mais forte que pode. Sobe no caralho todo dia e com a luneta, avista um barril e já sai gritando "terra à vista"? Nossa vida virou essa coisa de marujo, sem sentido, sem razão, seguindo ordem de um capitão e esperando que algo aconteça, o que não vai, pois estamos em um mar aberto sem nada à vista. O máximo que poderia acontecer é uma tempestade aparecer, virar o barco e todos morrerem. Nosso problema é que somos os marujos que adoram as lendas do mar, acreditamos na Deusa Calypso ou Poseidon, e estamos esperando que uma sereia de beleza estonteante apareca ao navio em alto mar, se apaixone por nós, e por conjuração do diabo, saia em forma humana das águas e viva conosco feliz para sempre.
O problema é que não vivemos essa metáfora toda, se vivêssemos até poderíamos mesmo ficar sonhando com a Lenda da Sereia da Praia, mas não estamos. Estamos sentados nas nossas cadeiras, em frente ao computador, checando emails, eu, escrevendo isto e você, lendo.

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